Eu deixei que morra em mim o desejode amar os teusolhos que são docesPorquenada te poderei dar senão a mágoa de me vereseternamente exausto.No entanto a tua presença é qualquer coisa como a luze a vidaE eu sinto que em meu gesto existe teugesto e emminha voz a tua voz.Não te quero ter porque em meu ser tudo estariaterminado.Quero só que surjas em mim como a fé nosdesesperadosPara que eu possa levar uma gota de orvalho nesta terraamaldiçoada.Que ficou sobre a minha carne como uma nódoa dopassado.Eu deixarei... tu irás e encostarás a tua face em outra faceTeus dedos enlaçarão outros dedos e tu desabrocharáspara a madrugada.Mas tu não saberás que quem te colheu fui eu, porqueeu fui o grande íntimo da noitePorque eu encostei minha face na face da noite e ouvia tua fala amorosa.Porque meus dedosenlaçaram os dedos da névoasuspensos no espaço.E eu trouxe até mim a misteriosa essência do teuabandono desordenado.eu ficarei só como os veleiros nos portos silenciososMas eu te possuirei mais que ninguém porquepoderei partir.E todas as lamentações do mar, do vento, do céu, das avesdas estrelasSerão a tua voz presente, a tua voz ausente,a tua voz serenizada.
VINICIUS DE MORAES
terça-feira, 16 de novembro de 2010
Ausência
Assinar:
Postar comentários (Atom)

Nenhum comentário:
Postar um comentário